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O que é o Mandato dos Céus?

Por Kallie Szczepanski
Tradução: Raphael Krüger
Fonte: About.com

O “Mandato dos Céus” é um antigo conceito filosófico chinês que se originou na dinastia Zhou (1046-256 a.C). O Mandato determina se um imperador da China é virtuoso o suficiente para governar; se não cumprir com suas obrigações como imperador, então ele perde o Mandato e por consequência o direito de ser imperador.

Imperador com seus conselheiros

Imperador com seus conselheiros

Há quatro princípios no Mandato dos Céus:

1. O céu garante ao imperador o direito de governar;
2. Assim como só há um céu, só pode haver um imperador governando;
3. As virtudes do imperador determinam seu direito de governar, e
4. Nenhuma dinastia tem o direito permanente de governar.

Sinais de que um governante em particular perdeu o Mandato dos Céus incluem revoltas populares, invasões por tropas estrangeiras, seca, fome, enchentes e terremotos. É claro que secas ou enchentes geralmente levavam a perda de colheitas e à fome, que causavam revoltas de camponeses, então esses fatores geralmente estavam inter-relacionados.

Apesar de o Mandato dos Céus parecer, ao menos superficialmente, similar ao conceito europeu do “Direito Divino dos Reis”, estes eram bem diferente na prática. No modelo europeu, Deus garante a uma família em particular o direito de governar um país para sempre, independente do comportamento do governante. O “Direito Divino” presumia que Deus essencialmente proibia as rebeliões pois era um pecado se opor ao rei.

Já na China, o Mandato dos Céus justificava rebeliões contra líderes injustos, tiranos ou incompetentes. Se uma rebelião tinha sucesso em derrubar um imperador, então era um sinal de que ele havia perdido o Mandato dos Céus e o líder rebelde o havia conquistado. Ainda, ao contrário da hereditariedade característica do Direito Divino dos Reis, o Mandato dos Céus não se embasava em realeza ou nascimento nobre. Qualquer líder rebelde que obtivesse sucesso poderia se tornar o novo Imperador com a aprovação dos Céus, mesmo se fosse nascido camponês.

 

O Mandato dos Céus em ação:

A Dinastia Zhou utilizou a idéia do Mandato dos Céus para justificar seu golpe contra a Dinastia Shang (1600-1046 a.C). Os líderes Zhou alegavam que os governantes Shang haviam se tornado corruptos e inaptos, então o Céu exigiu sua derrubada.

Quando a autoridade Zhou desmoronou por sua vez, não havia nenhuma força de oposição para tomar o poder, levando a China a entrar no Período dos Estados em Guerra (475-221 a.C). Ela foi reunificada e expandida por Qin Shi Huang, em 221 a.C, mas seus descendentes rapidamente perderam o Mandato. A dinastia Qin terminou em 206 a.C, derrubada por revoltas populares lideradas pelo rebelde Liu Bang, que fundou a dinastia Han.

Este ciclo continuou na história da China, como quando, em 1644, a dinastia Ming (1368-1644) perdeu o Mandato e foi deposta pelas tropas rebeldes de Li Zicheng. Um pastor de profissão, Li Zicheng governou por apenas dois anos até ser deposto pelos Manchus, que fundarama dinastia Qing (1644-1911), a última dinastia imperial da China.

 

Efeitos do conceito do Mandato dos Céus

O conceito de Mandato dos Céus teve muitos efeitos importantes na China e em outros países como a Coréia e Annam (norte do Vietnã), que estavam dentro da esfera de influencia cultural da China. O medo de perder o mandato dos céus levou os líderes chineses a agir de forma mais responsável com relação a seus deveres perante os súditos.

O Mandato dos Céus também permitia uma incrível mobilidade social para vários líderes de revoltas camponesas que se tornaram imperadores. Dava ainda uma explicação razoável para a população para eventos catastróficos como secas, enchentes, fome generalizada, terremotos e epidemias e este pode ter sido um dos efeitos mais importantes deste conceito chinês.

Artigo original: http://asianhistory.about.com/od/ancientchina/f/What-Is-The-Mandate-Of-Heaven.htm

About the author: Raphael Kruger

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