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Escola em Curitiba traz o antigo oriente ao mundo moderno

Presente em 14 países, a filosofia Pa-Kua adapta conhecimentos orientais milenares à vida ocidental moderna

Por Rebeca Bembem

Com cinco sedes em Curitiba e presente em nove estados brasileiros, a escola de Pa-Kua transmite a ocidentais modernos, de forma simples e prática, um conhecimento milenar de origem chinesa. Pa-Kua, que significa literalmente “oito mutações”, é uma filosofia baseada nas transformações da natureza e em seus oito estados.

De acordo com esse conhecimento, todas as coisas seguem as mesmas regras universais e mudam de estado constantemente, o que inclui as estações no ano, as pessoas e os próprios relacionamentos humanos.  O Pa-Kua, então, é a tentativa de compreender como essas mutações ocorrem no dia a dia e como reagir a elas com equilíbrio. Esse conhecimento, que chega a ser mitológico na China, está profundamente ligado às raízes de sua cultura e do pensamento do seu povo.

Os oito trigramas são combinações entre os três elementos que os chineses acreditam constituir o universo – Céu, Homem e Terra – e representam os oito estados da natureza: céu, terra, trovão, vento, água, fogo, montanha e lago (Foto: Rebeca Bembem)

Os oito trigramas são combinações entre os três elementos que os chineses acreditam constituir o universo – Céu, Homem e Terra – e representam os oito estados da natureza: céu, terra, trovão, vento, água, fogo, montanha e lago (Foto: Rebeca Bembem)

A primeira escola moderna de Pa-Kua – hoje presente em 14 países e que responde à Liga Internacional – foi fundada em 1976 por um mestre argentino. Ele dividiu esse conhecimento milenar em disciplinas, as chamadas “nove modalidades”, que são ferramentas práticas diferentes para se transmitir o mesmo conhecimento. Segundo Rodrigo Rizzardo Trinkel, mestre responsável pela unidade Juvevê, em Curitiba, o aprendizado mudou com as gerações. “A gente poderia sentar aqui e ficar meditando e filosofando por anos a fio, o que era o tradicional, mas isso não funciona hoje, para a maior parte das pessoas é difícil. Por isso nós temos essas ferramentas, que facilitam o aprendizado desse conhecimento”, explica.

A escola tem unidades em Curitiba nos bairros Juvevê, Jardim Social, Água Verde, Mercês e Centro (Arte: Elisa Maria Chiarello)

A escola tem unidades em Curitiba nos bairros Juvevê, Jardim Social, Água Verde, Mercês e Centro (Arte: Elisa Maria Chiarello)

Rodrigo diz que a escola busca manter uma abordagem simples e didática, para que qualquer pessoa ocidental possa aprender e escolher a modalidade que melhor se adequa a ela e a seus objetivos. Ele ressalta que as artes marciais, por exemplo, não são propriamente sobre saber lutar, mas “ensinam sobre autocontrole e autoconfiança. A pessoa que é segura e bem resolvida dentro do tatame, leva isso para fora dele, e consegue agir melhor dentro do seu dia a dia”, afirma.

“Eu tinha muita dificuldade em me comunicar e em me expressar, e o Pa-Kua me fez um bem tão grande que eu decidi trabalhar com isso”.

Luiz Paulo Pereira, formado em administração e instrutor há três anos, atualmente dá aulas de Arqueria – e segue o mesmo rumo de seu mestre ao ressaltar que a prática vai além de atirar; também trabalha o erro, a persistência, o foco e a concentração. Luiz é um dos exemplos de como Pa-Kua não é só uma filosofia ou um esporte, mas pode ser também um prazer. Ele conta que gosta do que faz e se vê ainda dando aulas daqui a 30 anos. “Eu tinha muita dificuldade em me comunicar e em me expressar, e o Pa-Kua me fez um bem tão grande que eu decidi trabalhar com isso”, Luiz diz.

Enquanto Günther, de 10 anos, começou a praticar arqueria por causa da série “Arrow”, Léo, de 54, precisava de uma atividade física; os dois dizem estar gostando das aulas (Foto: Rebeca Bembem)

Enquanto Günther, de 10 anos, começou a praticar arqueria por causa da série “Arrow”, Léo, de 54, precisava de uma atividade física; os dois dizem estar gostando das aulas (Foto: Rebeca Bembem)

Outro caso parecido é o de Mariana Benato, estudante de Química de 20 anos que conheceu o Pa-Kua por meio de uma amiga – e se apaixonou desde a primeira aula. Um ano depois, ela conta que a prática a ajudou na autoconfiança, na sociabilidade e lhe trouxe amigos. “Aqui eu me sinto bem. Meus problemas ficam todos fora da escola, é como um refúgio. Agora eu vejo a vida de uma forma mais saudável, me preocupo mais com a alimentação e em buscar um equilíbrio no corpo”, ela diz. Para Léo Pasqualini, professor de xadrez de 54 anos, o Pa-Kua é um prazer. “É uma higiene mental e alivia a tensão. Quando você se concentra na aula, acaba esquecendo os problemas do dia a dia”, garante.

Os instrutores Mariana e Luiz realizam pose durante aula de acrobacia na sede Juvevê (foto: Rebeca Bembem)

Os instrutores Mariana e Luiz realizam pose durante aula de acrobacia na sede Juvevê (foto: Rebeca Bembem)

O mestre Rodrigo Rizzardo afirma que um dos principais objetivos do Pa-Kua, como escola e como Liga, é ajudar as pessoas a encontrar harmonia na rotina e, assim, viver melhor; pois é o trabalho com o interior das pessoas que faz uma sociedade melhor. Segundo ele, o ser humano sofre quando não consegue lidar com as mudanças e fases ruins da vida, e quando toma atitudes que vão contra sua natureza e consciência. O Pa-Kua busca mostrar a essas pessoas como reencontrar seu centro.

O Pa-Kua ajuda na compreensão de que a vida é feita de estados que se alternam em ciclos, e de que nenhuma fase é interminável (foto: Rebeca Bembem)

O Pa-Kua ajuda na compreensão de que a vida é feita de estados que se alternam em ciclos, e de que nenhuma fase é interminável (foto: Rebeca Bembem)

Texto publicado no Jornal Comunicação (Jornal Laboratório da Universidade Federal do Paraná)

About the author: Camila Tremea

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